Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

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TEXTO ORIGINAL

Legenda Trium Sociorum - 51

51. 
1 Et oratione completa repraesentavit se summo pontifici et exemplum, quod ei Dominus ostenderat, sibi per ordinem intimavit. 
2 Dixitque: “Ego sum, domine, illa mulier paupercula quem Dominus amans per suam misericordiam decoravit et ex ipsa placuit sibi filios legitimos generare. 
3 Dixit autem mihi rex regum quod omnes filios quos ex me generabit nutriet, quia si nutrit extraneos, bene debet legitimos nutrire. 
4 Si enim Deus peccatoribus donat bona temporalia propter nutriendorum filiorum amorem, multo magis viris evangelicis, quibus haec debentur ex merito, largietur”. 
5 His auditis, dominus papa miratus est vehementer, maxime quia ante adventum beati Francisci viderat in visione quod ecclesia Sancti Iohannis Lateranensis minabatur ruinam et quidam vir religiosus, modicus et despectus (cfr. Is 16,14; 53,3) eam sustentabat, proprio dorso submisso. 
6 Evigilans vero stupefactus et territus, ut discretus et sapiens considerabat quid sibi vellet haec visto. 
7 Sed post paucos dies, cum venisset ad eum beatus Franciscus et ei suum propositum revelasset, ut dictum est, petissetque ab eo confirmari sibi regulam quem scripserat verbis simplicibus, utens sermonibus sancti evangelii ad cuius perfectionem totaliter inhiabat, 
8 respiciens eum dominus papa ita ferventem in Dei servitio, atque conferens de visione sua et de praedicto exemplo ostenso viro Dei, coepit intra se dicere: “Vere hic est ille vir religiosus et sanctus per quem sublevabitur et sustentabitur ecclesia Dei”. 
9 Et sic amplexatus est eum et regulam quam scripserat approbavit. 
10 Dedit etiam sibi licentiam praedicandi ubique poenitentiam ac fratribus suis, ita tamen quod qui praedicaturi erant a beato Francisco licentiam obtinerent. 
11 Et hoc idem postea in consistorio approbavit.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda dos Três Companheiros - 51

51. 
1 Quando acabou de rezar, apresentou-se de novo ao Sumo Pontífice e contou-lhe em ordem o exemplo que o Senhor lhe mostrara. 
2 E disse: “Eu sou, senhor, aquela mulher pobrezinha que Deus, amando, tornou formosa por sua misericórdia e houve por bem gerar dela filhos legítimos. 
3 Disse-me, pois, o Rei dos reis que alimentará a todos os filhos gerados por meu intermédio, porque, se ele nutre os estranhos, bem que tem que nutrir os filhos legítimos. 
4 Se, de fato, Deus dá os bens temporais aos pecadores por amor dos filhos que eles devem nutrir, muito mais dará em abundância aos homens evangélicos, aos quais se devem estas coisas por seu mérito”. 
5 Ao ouvir isso, o Senhor Papa muito se admirou, especialmente porque, antes da vinda do bem-aventurado Francisco, ele tivera uma visão na qual a igreja de São João do Latrão ameaçava ruir e um homem religioso, franzino e desprezível, a sustentava com seus ombros. 
6 Despertando, estupefato e amedrontado, como homem sábio e prudente que era, considerava o significado da visão. 
7 Mas, poucos dias depois, quando veio a ele o bem-aventurado Francisco e lhe revelou seu propósito, como foi dito, e lhe pediu que confirmasse a Regra que havia escrito com palavras simples e usando expressões do santo Evangelho, pois aspirava plenamente à perfeição, 
8 o Senhor Papa, vendo-o tão fervoroso no divino serviço e fazendo uma comparação entre a sua visão e a parábola que o homem de Deus lhe havia contado, começou a refletir: “Na verdade, este é o homem religioso e santo, por meio do qual a Igreja de Deus será levantada e sustentada”. 
9 E assim abraçou-o e aprovou-lhe a Regra que havia escrito. 
10 Concedeu também a Francisco e a seus irmãos permissão para pregar a penitência em qualquer lugar. Aqueles, porém, que desejassem pregar deveriam primeiro obter a licença do bem-aventurado Francisco. 
11 E mais tarde aprovou isso mesmo num consistório.